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Desabafos de um ser em transição

terça-feira, 7 de julho de 2026

crônica de uma alma extraviada

  Um leve brilhante de cores cintilantes e suaves toca suavemente o rosto dele ao caminhar por uma calçada sutilmente amarronzada com pequenos arbustos que começavam a florescer, ele sentindo aquela energia quente tomar conta de seu corpo enquanto caminhava calmamente e com certa pureza de ir bailando entre cada passo que dava nesse dia tão iridescente e que começava sutilmente a formar um sorriso. 

 Nessa caminhada cambaleante, respingos d'água sobressaem nele e nesse ímpeto de felicidade e distração ele os sente e os transforma em ato de dança livre sem pretensão por essa calçada que agora vai se estendendo a uma rua larga cinza com poucos carros estacionados ali e aqui, o que não o atrapalhou de maneira nenhuma seus rodopios elegantes e solitários, mas cheios do brilho que emanava naquele dia.

  Aquele dia começava a ficar com nuances escurecidas de um leve entardecer avermelhado, ele que nessa dança voltou a sentir uma alma leve, tranquila e deveras multifacetada de cores; agora ele tem uma certeza: ele é livre pra ser quem ele quiser se envolvendo musicalmente nos passos apresentados a ele em cada trafegada dos seus passos saltava em possas d'água e as pequenas gotículas de água chamuscam em seu sapato deixando-o com pequenas manchas.

 Toda essa movimentação, ele fez com que se tornasse um presente de criança e os respingos agora já haviam se transformado em uma garoa, a qual ele aproveitou cada instante para saborear de todas as formas que encontrou. Sentindo seus cabelos e rosto molhados aos poucos e suas roupas molhadas lhe causavam estranhamente um frescor inesperado e continuou o andar dançante aproveitando cada segundo daquele dia que logo ia-se.

 Ele transpôs nesses poucos instantes algo, que nem lembrava que possuía: uma alma contente que o fazia balançar seu corpo de acordo com sua musicalidade sentindo a brisa gélida da garoa em seus  cabelos molhados o que fazia ele sentir um arrepio, que há anos não o sentia e ao mesmo tempo passava por todo seu corpo para que pudesse sentir em sua essência cada partícula dessa brisa nesse caminho que já havia se alongado mais do que esperado.

  O momento o fez perceber que esse caminhar trouxe para se o exteriorizar do melhor dia que pudesse ter vivenciado para avivar as melhores memórias antes enterradas num passado longínquo, as quais começaram aos poucos a invadir lhe seus pensamentos colorindo-os de tal forma que o anoitecer foi chegando de mansinho sem que o percebesse por estar inebriado de sensações antes tão desconhecidas e esquecidas. 

 Hoje, ele saboreia esse andar dançante por toda rua como um de ballet contemporâneo, no qual os dançarinos expôs suas emoções no trafegar dos passos e naqueles instantes que poderia haver multidão na rua e até mesmo na calçada, mas pra ele só havia ele o brilho trivial nascente que ao longo do dia foi-se alterando para um avermelhado com nuances amarelo-alaranjadas até sobrar o brilho incandescente de pontos luminosos. Esse foi o dia mais extraordinário para ele, pois o fez se sentir em sua totalidade; foi nesse momento único que ele entendeu que deveria vez ou outra seguir a sua musicalidade interna para se encontrar. 

Sobrecarga

corpo vítreo 
sugado 
por 
fios
pretos 
invisíveis 
a olho nu 
entrelaçam
todo 
o corpo 

Os fios pretos 
trazem a chuva 
pra seu interior 
mas impedem 
que saiam 

ao piscar sutil 
das persianas 
inicia-se
um nevoeiro 
silencioso 
que vai 
escurendo 
as cores 
daquele corpo 

Ah! o nevoeiro 
cresce, 
cresce tanto 
que se torna 
uma força interna 
mais forte que
o próprio interior 

Transmuta-se um corpo 
na sobrevivência da automaticidade  
mantendo os risos, 
sorrisos 
e aparência que contenta
a todos.

......

Ao fim 
o corpo 
já nem sabe 
que é um corpo
mas se mantem.




  

terça-feira, 31 de outubro de 2023

Nó

 


Um nó

Atado

Preso

A seco

Em um 

Total 

E completo 

Poço

De obscuridade 


Tal nó

Não 

Desata 

Ata 

Com 

Tamanha 

Intensidade 


Nó

Se emaranha

Em vários

Se sobrepondo

A uma

Realidade 

Do corpo vítreo

Tal qual 

Como 

Uma total

Desconhecida


Nó

Entra 

E forma 

Ninho 

Com tanto 

Aconchego

Que este não 

Sai

Se enraíza 


Nó

É forte 

Enfraquece 

O corpo vítreo 

Que antes 

Era 

Inabalável 

A casca deste 

Permanece 

Rígida 

Pra transparecer 

Força 

Aos outros 


O interior 

Dessa casca 

Está 

Em fraturas 

Completamente

Sem rumo 

Tentando 

Lucidar 

O caos 

Da casca 


Nó

Que permeia 

Alma 

Do 

Corpo vítreo

Se embreaga 

De cristalgadas 

Gotículas

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Homenagem ao nascer

Nasci
levemente ao
doramento trivial
sem pestanejar.

O amor maternal
me foi desviado
aos tropeços
desiguais do
descaminhar.

Começo inseguro,
incerto
frágeis raízes
avitaminadas
sem firmeza
cambaleava.

Acolhedores
e furtivos abraços
trespassavam ao meu redor, 
clamando
a tão requisitada segurança.

Ao encanto "paternal" 
por aquele que briga,
mas não cai
olha para cima
e para baixo
e mantem
o olhar sorridente.


ri e se vai....

Derivação do ser

O ser 
imposto pela sociedade
deve em sua 
magnitude 
se definir em
apenas em feminino 
e masculino. 

O "feminino" 
é sobrecarregado de todas 
as amarras 
e pressupostos exigidos 
por todes.

Com toda conturbação 
o "feminino"
não mais se
identifica assim,
aparecendo 
derivações 
tornando 
o ser radiante 
de felicidade.

O ser 
independente 
de sua derivação 
pode e deve 
lutar pelos seus ideais
definido apenas 
por uma coisa:
sua essência. 


sábado, 13 de novembro de 2021

Desabilitado


 O corpo 

Inabitado 

Há tempos 

Um preenchimento:

O vazio 


Nesse vazio 

Flores tentam nascer 

E florescer 

Mas a força do vazio 

É maior 


Semblante 

De pura inocência, 

Doçura e sonhos 

Comutando-se ao

Apático

Sem forças 

E sem vontade de lutar


A vitalidade 

Deste ser 

Um ser vítreo

Reluzente a luz do sol

Já não depara-se como antes


Esse corpo vítreo 

Se encontra em 

Crescente opacidade 

Que não permite 

O espectro furtacor 

E brilhante 

Esteja presente 

Apenas flores murchas 

Em seu interior


Todas as luzes começam 

A se apagar 

Neste ser

E percebe que a única luz 

Visível, 

Quente 

Agora habita é 

Extracorpórea. 


O ser 

Se constroem 

Em desfiles de "eus"

Cada ocasião um "eu" 

É criado para adaptação 

À viver em sociedade  



https://www.youtube.com/watch?v=WXyLdg4mJxo&list=RDGMEMQ1dJ7wXfLlqCjwV0xfSNbAVMWXyLdg4mJxo&start_radio=1


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

(Des)pretensão

Descansa,
passos
despretensiosos
leves,
areia
gélida
sopros
desconcertantes
oscilam
o caminhar
silencioso.

Gotas
cristalgadas,
fluem
em pálido
tocante
translúcido
transpondo-se
a areia
gélida.

Efêmera
palidez
do corpo
vítreo
deriva
a cada passo
despretensioso
a singelo
véu.

Tênue
claridade
de nebulosidade
ínfima
entorpecem
quimeras.










domingo, 9 de agosto de 2015

Feitiço

Noite cálida
e fria,
teus olhos
profundos
e indecifráveis
enfeitiçam
as estrelas.

O pincelar
azulado
se deslumbra
com tamanho
o mistério
de sua aurora
boreal.


Quem és tu?
Singelo,
místico,
de leveza
sobrenatural,
despido
de serenidade,
embriagado
de intelecto.

És aquele
que habita
os campos elísios
de meus
devaneios.








sábado, 11 de abril de 2015

A luz

Os floreiros
sutis
e galantes
crackearam
o fragilístico
corpo
vítreo.

O súbito
acaloramento
descompassado
aflorou
o cerne
postulado
morto.

Sorrisos,
risadas,
transposições
orlas macias
fluidificam
emotificâncias
no pulsante vital.

Unificadas
alianças
permearam
corpo/alma
mistificando
o universo
particular.

domingo, 9 de novembro de 2014

A rainha dos sonhos

As trasmutações
possiveis 
e impossiveis 
que uma única 
e singela 
tonalidade 
vocal 
irradiam
por todo 
corpo
de outrem
causando
efeitos
variados
e inesperados.

Apesar
de todo
espectro
gélido
aparente,
toda força
apresentada;
apenas
esconde
uma pessoa
levemente
emotiva
e fragilizada.

Sua alma
se transloca
em facetas
conquistadoras
abusando
de tal
eloquência,
estilo
executivo
e educação
primorosa.

Sua obscuridade
e iluminação
se entrelaçam,
porém seu
âmago
se condiz
a uma pessoa
dia
em busca
de sua pessoa
noite.

Exala
extrema proteção
e amor
por quem
tem seu coração,
tendo
feixes de romantismo.

Sim!!!
Quem tem
seu coração
é sua alma gêmea,
sua noite,
seu yang.





domingo, 13 de julho de 2014

Azul


Ao acaso
uma linda
e metamórfica
flor
surgiu
em um jardim
caótico.

Delicadeza
da sutil
flor camufla
sua ausência de
envolvimento
de sentimentalismo.

De todas
as cores
de uma flor
a mais
inusitada
e atraente
foi a azul.

Inesperadamente
essa flor
traduz
uma dualidade:
pétalas
de timidez
e um cerne
pouco desenvolvido
de extroversão.

Efetividade
singela
exclusiva
entre a flor
e o jardim
por pulsantes
em tonalidades
gélidas.

O jardim
por fim
não sabe se
já era caótico
ou se a flor
o tornou mais ainda.

“Os dispostos
se atraem
e os opostos
se distraem.”



domingo, 25 de maio de 2014

(Des)conhecida

Espectro
albino
resplandecente
de confiança
segura,
e energia
translúcida.

Noite
ou dia??
eclipse
pessoal
de contrapontos
e comportamentos.

Superfícies
tenras,
provocaticas,
macias,
apreciadoras
de mordidas
e resistíveis
de beijá-las.


Janelas
fragmentadas
de inquietudes,
loucuras
momentâneas
e emotificâncias
ilimitadas.

Gestos
aconchegantes,
protetor,
de toque
suaves
e ásperos
preenchidos
por certas
emotificâncias
calorosas.

Frieza,
secura,
sentimentalismo
dependentes
do humor
trivial.











sábado, 1 de março de 2014

Morena

Véu
negro
acalenta
fios
relutantes
de serenidade.

Alma
cintilante
e impermeável
a outrem.

Alvo
espectro
de fugaz
e brilhante
contradições
fascina
outrem
com suas
engenhosidades.

Orlas
macias,
hipnotizantes,
tenras
e distantes
de bocas
a beijá-las.

Olhar
espevitado,
sereno
e paciente
a loucura
de outrem.

Toque
algodoado,
provocativo,
delirante
e inerte
desnortea
outrem
deliberadamente.

Trejeito
inocente?
safado?
ou simplesmente
moderno?

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Detalhes

Um papel
uma fita (vermelha)
um sorriso
uma gota
um passo (adiante)
reflexos
pensamentos (desnorteados)
cordas (bambas)
refrações (hipnóticas)
finos fios
entre
sonhos embaraçados
pela torre central.

Uma ideia (desfeita)
um propósito (malvisto)
um porquê (mau respondido)
um olhar (saltitante)
um sorriso (comemorativo)
uma confusão (instalada permanentemente)
tudo se refaz a cada looping.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Agora

À janela
fragislística
decomponho-me
a fragmentos
vítreos.

Ao caminho
errante
de impulsos
desconcertantes
pondera-se
uma carência
constante.

Aos passos
sem rumo
minh'alma
perde-se
em si
abrigando
em mim
a mais pura
solicitude.

Aos movimentos
involuntários
prendo-me
na inconstância
de palavras
não ditas.

Às palavras
sorrateiramente
esmiuçadas
em meio
a ironias
imperceptíveis
me torno
menos
emotificante.

sábado, 20 de abril de 2013

Libertè

Arranca-te
de mim
este
vulnerável
equilibrista.

Despida
a aleatoriedade
transitória
de um
corpo
vítreo
em formação.

Desmancha
o intrínseco
declíneo
surrealístico.

Aquebrante
o fugoz
habilidoso
em discordâncias.

Ao fim
apenas
reinvente-me
das cinzas.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Subterfúgios

Adjacente
frieza
ao limite
impróprio
de mágoas
subjugadas
irrelevantes.

Desmantelam
o fio
das vulnerabilidades
descompassadas,
cansadas
na corda bamba.

Ao silêncio
ensurdecedor
o corpo vítreo
se desliga
da sensibilização.

Ao vazio
inacabado
a maciabilidade
das lágrimas
padecem
sobre
os gélidos
movimentos
escassos.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Confusão

Pulsante
fragilístico
cambaliante
aos tropeços
emotificantes
errantes.

Gargalhadas
funestas
desequilibram
o fluxo
desconexos
de almas
pareadas
internamente.

Malevolências
intrínsecas
sabotam
afabilidades
efêmeras.


sábado, 26 de janeiro de 2013

Imaginarium

Indiscutível
acaso
esvai
no delimiar
de contra-pontos
atlânticos.

Séquidos
afetos
sublimam
em
arrítmica
dança.

Pisoteio
emotificantes
desapropriam
esperançosa
aleatoriedade
ao prisma
funesto.


domingo, 13 de janeiro de 2013

Stresse

Stresse
rotineiro,
abrupto
invalida
perspectivas,
destrói
sonhos

Psiqué
em florações
descompassadas
rompe
com o desconhecido

O monstro
involuntário
cerca
minhas
reações
e emotificâncias,
a apatia vence.